pra onde eu vou, venha também


Por todo a Itália existem igrejas construídas sobre ruínas de templos romanos ou templos descaracterizados e transformados em igreja (o Pantheon é um exemplo). Muitos locais, como o Coliseu, foram saqueados por ordem de papas que precisavam de mármore e pedras para erigir suas igrejas (o que os barbáros não fizeram, fizeram os Barberini).

Pompéia só existe como principal testemunho do cotidiano de uma civilização porque foi consumida pelo Vesúvio, e não pela ação humana. Não fosse a erupção devastadora em 79 d.C., provavelmente a urbe romana seguiria o curso “natural”, daria lugar a uma cidade medieval, e o pouco que restasse de suas ruínas acabaria soterrado.


O sítio arqueológico tem 45 hectares e é cansativo caminhar pelo calçamento, original, feito de grandes pedras. No ponto mais distante da entrada, fica o Anfiteatro, onde o Pink Floyd gravou o show afudê em 1972.

Dali, depois das longas caminhadas do dia, seguimos para Nápoles procurar o hostel, que fica no centro da cidade, “a piú bella del mondo”, segundo uma FM local. Chegamos sabendo se tratar da cidade mais perigosa do país, principalmente por causa dos furtos de carro e batedores de carteira, e todos havíamos ouvido qualquer coisa sobre o trânsito caótico. Ok, viemos do Brasil, ignoramos roubos praticados por pessoas desarmadas e somos todos pilotos de F-1.

Era por volta das 18h de domingo quando o GPS nos colocou no centro de Nápoles. O tráfego não era muito intenso e vimos algumas barbaridades, como carro cortando a frente de outro, invadindo o corredor de ônibus e scooters ziguezagueando entre os carros. Encontramos o albergue, que é simples, limpo, barato e bem localizado. Conforme anoitecia, o movimento nas ruas e a tensão aumentavam, coisa que só vê aos domingos em Porto Alegre em dia de jogo no Olímpico.


Numa das poucas saídas com o carro pela cidade, um Cinquecento desses novos cortou a frente do nosso Touran. Já havíamos nos adaptado aos esquemas para atravessar cruzamento ou mudar de pista, audaciosamente metendo o carro onde quer que fosse, xingando até a quinta geração do piloto adversário. Foi o que o Luiz fez, usando todo o vocabulário, inclusive gestual, adquirido em três semanas de curso de italiano. O napoletano se aborreceu, seguiu nosso carro até o semáforo, desceu e tentou abrir a porta, mas foi impedido por nosso bravo motorista, que segurou e conseguiu trancar a porta rapidamente.

Fizemos pequenos giros por Nápoles à noite, não dá para dizer que realmente conhecemos o lugar. O suficiente para ver aquela dos filmes: de belas paisagens, caótica, barulhenta, feia e pobre na periferia, como uma cidade brasileira. E com um povo que fala quase gritando, gesticulando exageradamente, um tanto malandro. Na Solo Pizza, uma pizzaria no centro, o garçom não teve dó da turistada. Nos cobrou, sem aviso prévio, 12 euros a mais por que pedimos pizza com dois sabores, além de 10% de serviço e 1,20 euros por cabeça por termos decidido sentar.

No dia seguinte, teríamos de devolver o carro na locadora à tarde, e decidimos retornar pelas curvas da Costa Amalfitana. A viagem de volta ficou cento e poucos quilômetros mais longa, choveu e uma neblina cobria toda a região, mas um pacto feito no carro me obriga a dizer que estava um dia lindo, e nós amamos.

Balanço da viagem:

Hostel: 12 euros por pessoa
Aluguel do carro: 256 euros
Combustível e pedágio: ~120 euros
Total por pessoa: 76 euros
Ter o Luiz como motorista: não tem preço!

Alguns lembretes para a próxima:

- A carteira de habilitação brasileira vale por um ano aqui
- Alugar pelos sites é mais barato do que nas locadoras
- Reservas feitas pela Internet não são confirmadas na hora, por isso é preciso fazê-las com no mínimo dois dias de antecedência
- Evite locar nos finais de semana, quando os negócios funcionam em horários ainda piores do que durante a semana fora das grandes cidades
- Só alugue carros a diesel, são tão silenciosos e eficientes quanto carros a gasolina no Brasil, só que é bem mais barato (em média 1,15 euro, contra 2 da gasolina)
- Evite entrar de carro em Nápoles se não for um motorista experiente
- Se for depender de GPS, se certifique de que os mapas são atualizados

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Superamos o trecho mais complicado na primeira hora. Nos arredores de Camerino, as curvas em U das estreitas estradas entre as montanhas tornam a viagem lenta. Nas autoestradas, a velocidade máxima varia de 110 a 130 km/h. Seguindo os comandos do GPS, a ida foi tranquila.

Para chegar a Vesúvio, foi preciso pegar uma estrada secundária, e foi aí que a Tia do GPS, uma senhora italiana de meia idade, começou a nos faltar. Entre retornos que não existem mais e contramãos nas ruas da periferia de Nápoles, acabamos pagando 3 euros a mais em pedágio, 1 por cada reingresso, proposital ou não, na autoestrada.


É possível subir de carro boa parte do Vesúvio, até o acesso ao parque que cerca o monte, onde se paga 2 euros pelo estacionamento e mais 9 euros para seguir o percurso a pé (4,50 com desconto para estudante ou jornalistas). A subida é difícil, 40 minutos de luta contra um vento gelado, que junto com a diferença de altitude causa forte dor nos ouvidos.

Mesmo que descontada a bela vista da costa napolitana, caminhar sobre o vulcão que entrou para a história como sinônimo de morte e destruição, em meio ao vapor que brota das rochas e escutando apenas o assovio do vento, é algo pro resto da vida .

À tarde, depois de deixarmos mais uns 3 euros no pedágio por conta da Tia do GPS, seguimos para Pompéia. O ingresso para o sítio arqueológico tem uma particularidade que ainda não conseguimos entender. O desconto para estudantes é válido apenas para europeus – e brasileiros de Santa Catarina ou Paraná. O bilhete para os outros mortais custa 11 euros, mas sai de graça para museólogos e jornalistas (chupa, Vaticano!). Fim da parte 2.

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Na bilheteria onde compramos o ingresso para subir até a cúpula da Basílica de São Pedro:

Fuga: Há desconto para estudante?
Moço não muito simpático: Não.
Fuga: E para jornalista? (mostrando a carteira vermelha)
MNMS: Não. Dois ingressos?
Fuga: Sim.
MNMS: Escada?
Fuga: Sim.
MNMS: 10 euros.

No Museu do Vaticano:

Fuga: Sou católico. Tem desconto?
Santo Cobrador: Não.
Fuga: Nem para os batizados pelo padre Guido?
SC: Não.
Fuga: E filhos de Deus?
SC: Todos somos.
Fuga: E para jornalistas?
SC: 15 euros.

O Vaticano foi o único lugar em Roma onde não teve arrego. O museu, onde fica a Capela Sistina, é uma amostra do poder, das obras e da fortuna acumulada pela Igreja através dos séculos. Gostamos mais dos Museus Capitolinos, pelo acervo voltado ao Império Romano, mas este também é uma parada obrigatória.

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Ó, mãe, eu empacotadinho.

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