pra onde eu vou, venha também

Reservamos os últimos dias em Roma para conhecer o Vaticano, a Meca dos católicos e japoneses. Na sexta, fomos à Praça de São Pedro, atualmente patrocinada pela TIM (outdoor acima).

Na construção da basílica-mãe, foram usadas até pedras do Coliseu, saqueado em nome da fé (segundo uma professora da Aline, não conseguimos confirmar).

Até crianças em grupos guiados assumem tom reverencial ao cruzar as gigantescas portas, e o som do lugar é o dos sussurros e estalar de máquinas fotográficas. Obras como a Pietá ou o baldaquino já valem a visita, só que o lugar reserva mais uma atração para devotos dispostos como nós. Há quem prefira a confissão. Nós decidimos expiar nossos pecados subindo até a cúpula da igreja.

Com elevador até o terraço, o preço é 7 euros. Pela escada, 5. Pagamos os 5 e chegamos bem lá em cima, debochando de quem pagou os dois euros a mais. O que ninguém avisa lá embaixo, na hora da venda do santo ingresso, é que a parte do elevador só cobre um terço da subida. A escada do terraço à cúpula tem cerca 70 centímetros de largura na maior parte do percurso, circular, com degraus estreitos e altos, onde conseguia apoiar metade do meu pé 42.

Há poucos lugares em que se pode parar para retomar o fôlego, e não tem como voltar depois que se começa porque há uma fila de gente subindo e duas pessoas não conseguem dividir o vão. Lá de cima se tem uma vista 360 graus da cidade, mas se alugasse um helicóptero também teria.

Minha penitência, como se os cinco euros e sei lá quantos degraus não bastassem, foi uma lesão no tendão de Aquiles e andar manca e lentamente há três dias.

Já estamos em Camerino, que está coberta de neve. Aguardem.

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Fizemos mais uma incursão pelo centro histórico ontem, com um roteiro mais ou menos traçado, que acabou sendo inútil. É tanta coisa para se ver em um espaço tão pequeno que fomos para o lado oposto.

O plano era seguir da Piazza Venezia e ver algumas catedrais nos arredores. Na frente da praça fica também o monumento a Vittorio Emanuele (abaixo), primeiro rei da Itália unificada.

O “bolo de noiva” monumental impressiona, e a vista da cidade é fantástica. Foi lá de cima que avistamos o Coliseu e Fórum Imperial, e o roteiro foi pra banha. Nossos dois guias não davam a idéia de que eram tão próximos.


Decidimos guardar o melhor pro final. Atrás do monumento do rei, fica o Capitólio, um conjunto arquitetônico projetado por Michelangelo (o artista renascentista, não a tartaruga ninja).

Dois prédios, o Palazzo dei Conservatori e o Palazzo Nuovo, de fachadas idênticas, abrigam os Museus Capitolinos. O preço, 8,50 euros por pessoa, e uma possível overdose de arte sacra nos deixaram em dúvida. Daí sacamos nossas carteiras pela primeira vez em Roma: a minha de jornalista e a de estudante da Aline. E não é que tchararã! Entramos de graça. O ingresso da Aline só foi gratuito por que ela estuda Arquitetura.

Os museus valem a visita, a maior parte do acervo é de obras da Roma Antiga, inclusive o que sobrou do Templo de Júpiter, descoberto durante a construção dos prédios, que são ligados por um túnel. No lugar mais inesperado, ali embaixo, nos deparamos com o Fórum Romano ao entardecer, com a Lua cheia já alta no céu. Uma daquelas coisas que justificam a viagem.

Saímos dali em busca de um lugar próximo para jantar, e depois de um pint de Guiness num pub irlandês chinelo, seguimos a recomendação do guia que compramos aqui em Roma. A Taverna Romana (Via Madonna dei Monti, 79) nos proporcionou a melhor refeição desde a chegada, e a mais em conta também, com um litro de vinho a cinco euros.

Mas meus amigos, sim, era noite, estávamos cansados e com muito, muito frio. Só que ver o Coliseu à noite, sob a lua impecável, sem vivalma na rua, e tocar naquela parede milenar, foi algo que fez encher os olhos de água.

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