pra onde eu vou, venha também

Tinha esquecido de contar essa. Aqui em Camerino, com a quantidade de gente do Brasil, era de se esperar alguém que trabalha com teu ex-colega de faculdade em Porto Alegre. Um índio de Santa Maria que conhece o irmão do teu amigo de Horizontina. Ou até o cara de Campo Grande que estuda Engenharia Mecânica em Floripa e é colega de alguém da tua cidade de 13 mil habitantes no noroeste do RS.

Nos hospedamos em Roma na casa de uma família, como havia contado, que nos recebeu muito bem. A mulher, Neusa, é gaúcha e mora em Roma há mais de 20 anos, vive com marido e filho em um grande apartamento a 10 minutos do centro.

Quem nos passou o contato dela foi o pessoal da assessoria aí em Porto Alegre, e a Neusa só recebe quem eles indicam. Lá pelo quarto dia em Roma, estávamos conversando na cozinha e começamos a falar da enxurrada que havia atingido o Rio Grande na virada do ano. Comentei que havia me impressionado ao passar por Marques de Souza em janeiro, que estava coberta de lama.

- Eu conheço Marques de Souza, passo por lá quando volto pra casa visitar minha mãe.

- Mas de onde tu é?

- Tenente Portela.

A família ainda vive no interior de Derrubadas, ex-distrito de Portela. Ela conhece “os Rosa Lopes” e é amiga de uma prima minha que vive na Suíça há quase 30 anos. Tenente Portela, coração do mundo.

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Enquanto não vem post novo sobre Florença, a festa no castelo e muito mais neve, fiquem com as fotos de Roma.

Roma

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Na bilheteria onde compramos o ingresso para subir até a cúpula da Basílica de São Pedro:

Fuga: Há desconto para estudante?
Moço não muito simpático: Não.
Fuga: E para jornalista? (mostrando a carteira vermelha)
MNMS: Não. Dois ingressos?
Fuga: Sim.
MNMS: Escada?
Fuga: Sim.
MNMS: 10 euros.

No Museu do Vaticano:

Fuga: Sou católico. Tem desconto?
Santo Cobrador: Não.
Fuga: Nem para os batizados pelo padre Guido?
SC: Não.
Fuga: E filhos de Deus?
SC: Todos somos.
Fuga: E para jornalistas?
SC: 15 euros.

O Vaticano foi o único lugar em Roma onde não teve arrego. O museu, onde fica a Capela Sistina, é uma amostra do poder, das obras e da fortuna acumulada pela Igreja através dos séculos. Gostamos mais dos Museus Capitolinos, pelo acervo voltado ao Império Romano, mas este também é uma parada obrigatória.

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Ó, mãe, eu empacotadinho.

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Reservamos os últimos dias em Roma para conhecer o Vaticano, a Meca dos católicos e japoneses. Na sexta, fomos à Praça de São Pedro, atualmente patrocinada pela TIM (outdoor acima).

Na construção da basílica-mãe, foram usadas até pedras do Coliseu, saqueado em nome da fé (segundo uma professora da Aline, não conseguimos confirmar).

Até crianças em grupos guiados assumem tom reverencial ao cruzar as gigantescas portas, e o som do lugar é o dos sussurros e estalar de máquinas fotográficas. Obras como a Pietá ou o baldaquino já valem a visita, só que o lugar reserva mais uma atração para devotos dispostos como nós. Há quem prefira a confissão. Nós decidimos expiar nossos pecados subindo até a cúpula da igreja.

Com elevador até o terraço, o preço é 7 euros. Pela escada, 5. Pagamos os 5 e chegamos bem lá em cima, debochando de quem pagou os dois euros a mais. O que ninguém avisa lá embaixo, na hora da venda do santo ingresso, é que a parte do elevador só cobre um terço da subida. A escada do terraço à cúpula tem cerca 70 centímetros de largura na maior parte do percurso, circular, com degraus estreitos e altos, onde conseguia apoiar metade do meu pé 42.

Há poucos lugares em que se pode parar para retomar o fôlego, e não tem como voltar depois que se começa porque há uma fila de gente subindo e duas pessoas não conseguem dividir o vão. Lá de cima se tem uma vista 360 graus da cidade, mas se alugasse um helicóptero também teria.

Minha penitência, como se os cinco euros e sei lá quantos degraus não bastassem, foi uma lesão no tendão de Aquiles e andar manca e lentamente há três dias.

Já estamos em Camerino, que está coberta de neve. Aguardem.

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… jogue um japonês na Fontana di Trevi.

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Fizemos mais uma incursão pelo centro histórico ontem, com um roteiro mais ou menos traçado, que acabou sendo inútil. É tanta coisa para se ver em um espaço tão pequeno que fomos para o lado oposto.

O plano era seguir da Piazza Venezia e ver algumas catedrais nos arredores. Na frente da praça fica também o monumento a Vittorio Emanuele (abaixo), primeiro rei da Itália unificada.

O “bolo de noiva” monumental impressiona, e a vista da cidade é fantástica. Foi lá de cima que avistamos o Coliseu e Fórum Imperial, e o roteiro foi pra banha. Nossos dois guias não davam a idéia de que eram tão próximos.


Decidimos guardar o melhor pro final. Atrás do monumento do rei, fica o Capitólio, um conjunto arquitetônico projetado por Michelangelo (o artista renascentista, não a tartaruga ninja).

Dois prédios, o Palazzo dei Conservatori e o Palazzo Nuovo, de fachadas idênticas, abrigam os Museus Capitolinos. O preço, 8,50 euros por pessoa, e uma possível overdose de arte sacra nos deixaram em dúvida. Daí sacamos nossas carteiras pela primeira vez em Roma: a minha de jornalista e a de estudante da Aline. E não é que tchararã! Entramos de graça. O ingresso da Aline só foi gratuito por que ela estuda Arquitetura.

Os museus valem a visita, a maior parte do acervo é de obras da Roma Antiga, inclusive o que sobrou do Templo de Júpiter, descoberto durante a construção dos prédios, que são ligados por um túnel. No lugar mais inesperado, ali embaixo, nos deparamos com o Fórum Romano ao entardecer, com a Lua cheia já alta no céu. Uma daquelas coisas que justificam a viagem.

Saímos dali em busca de um lugar próximo para jantar, e depois de um pint de Guiness num pub irlandês chinelo, seguimos a recomendação do guia que compramos aqui em Roma. A Taverna Romana (Via Madonna dei Monti, 79) nos proporcionou a melhor refeição desde a chegada, e a mais em conta também, com um litro de vinho a cinco euros.

Mas meus amigos, sim, era noite, estávamos cansados e com muito, muito frio. Só que ver o Coliseu à noite, sob a lua impecável, sem vivalma na rua, e tocar naquela parede milenar, foi algo que fez encher os olhos de água.

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Temperatura durante o dia em Roma na terça: entre 0 e -4

Temperatura média durante a noite em Roma: frio pracaraio!

Ontem ainda choveu muito aqui, e a função das mochilas nos prendeu em casa até o almoço. Começa a escurecer antes das 17h, o frio aumenta e é difícil ficar depois das 21h na rua. Chegamos ao Pantheon antes do fechamento e ainda deu tempo de jantar lá no centro e encarangar até em casa.

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Cumprida a maratona de embarque no Schiphol, embarcamos no voo da Alitalia. Eram 13h e não serviram almoço, apenas um minipacote de bolachinhas e bebidas, semelhante ao que a Gol faz no Brasil. Ok, era uma viagem de duas horas. E esse seria o menor dos problemas.

Com duas conexões, uma delas com menos de uma hora, e três companhias diferentes – TAM, KLM, Alitalia –, era pedra cantada. Nossas mochilas não chegaram a Roma.

Fomos ao guichê de atendimento ao passageiro da Alitalia, em Fiumicino, onde garantiram que nos entregariam a bagagem, no nosso endereço em Roma, assim que a encontrassem.

Trouxemos nas mochilas pequenas uma muda de roupa, por precaução. Mas a coisa iria ficar feia se não nos entregassem logo. Além das implicações óbvias, nosso remédio para rinite está lá e desembarcamos em uma Roma chuvosa e fria.

Acordamos às 8h e a nossa anfitriã havia deixado um bilhetinho dizendo que entraram em contato, encontraram as malas e entregariam em breve. Ufa!

Era 9h30min quando tocou o interfone. Prendemos a respiração quando vimos que o plástico, aquele que pagamos R$ 40 no ProtectBag no aeroporto em Porto Alegre, foi arrancado e as mochilas haviam sido abertas.

Revisamos tudo e fora os buracos nas sacolinhas do Zaffari que embalavam os calçados e remédios, tudo estava em seu devido lugar. Ser chinelão tem suas vantagens.

Provavelmente a “inspeção” foi na Alitalia, nos disseram aqui em Roma que isso é comum nos voos da companhia. Notas para a próxima viagem:

- Evitar vôos com muitas conexões
- Se não puder evitar conexões, evite aquelas com menos de duas horas
- Evitar mochilas sem fecho, nas quais não se pode usar cadeado
- Nunca se esquecer da roupa extra na bagagem de mão
- Nunca colocar nada de valor na bagagem despachada
- Sempre desconfiar do que dizem na companhia aérea. Se algo parece ou pode dar errado, provavelmente está e dará errado

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