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Deixamos para última hora para trocar a viagem de retorno para Brasil, e recebemos mais uma mostra de quão mercenárias e incompetentes companhias aéreas podem ser, ainda mais em tempos de crise.
A viagem para a Inglaterra, além de afudê, serviria também como uma tapeada no meu visto de turista, que venceu em 25 de abril. Como a Grã-Bretanha não está no Espaço Schengen, receberia um carimbo na saída e outro no retorno a Roma. Embora oficialmente nosso visto permita apenas três meses em um período de seis na União Europeia, essa saída aumentaria as probabilidades de a regra ser ignorada. Mas aí deu vulcão.
Sem essa finta, a ideia de ficar um mês circulando irregular não agradava, enrolei até o último momento para me decidir. Depois de uma pesquisa na internet e conversar com alguns amigos, liguei o foda-se, consciente de que ser pego ou não seria/será uma questão de sorte.
Nosso voo estava marcado para as 6h de sábado, 24 de abril, e a mudança poderia ser feita até 30 horas antes da decolagem. Na quinta de tarde ligo pra KLM com o intuito de mudar o retorno para 24 de maio e, depois de 40 minutos de espera, a pior atendente atendeu (saca?) o telefone.
Senhor, para realizar esta mudança deve pagar um adicional de 750 dólares.
Mas não tem nada mais barato nem em dias próximos?
Não, senhor, só com a tarifa mais alta. Devido a vulcão, nossos voos estão superlotados.
E agora? Pagamos ou voltamos? Conversamos e decidimos gastar esse dinheiro em compras em Roma na sexta, e embarcar no sábado mesmo. Atento que você é, leitorinho, deve ter percebido que não voltamos.
Quando liguei para meu pai, dizendo que estaríamos de volta sábado, ele, morto de saudades, se dispôs a pagar a diferença. Ok, vamos falar com a KLM. Faltando uma hora para fechar o escritório deles no Brasil, ligo, espero 50 minutos, e:
KLM, em que posso ajudar?
Eu quero blablablablabla.
Um momento vou fazer os cálculos. Hummm, senhor, para esta data a mudança custaria 428 dólares
Para os dois passageiros?
Sim.
Mas não tem nada mais barato uns dias antes, uns dias depois, ou talvez em junho?
Um momento. Ah, encontrei a mesma tarifa no dia 19. Nesta data o senhor teria apenas o custo de troca, de 200 dólares.
Pode marcar!












