tags: berlusconi, brasil, burocracia, cidadania italiana, documentos, garibaldi, incêndio, preparativos

Além de querer conhecer o país e continuarmos o estudo do idioma, uma das razões de termos escolhido a Itália _ e especificamente Camerino _ foi a possibilidade de termos a cidadania italiana reconhecida em três meses, enquanto no Brasil a espera na fila pode passar de 10 anos.
A Aline vai fazer pela família dela, uma prima já tinha buscado todos os papéis, foi só acrescentar o que faltava, barbada. Já o meu caso foi bem mais complicado, se arrasta há cinco anos entre busca de documentos, correções e suprimentos na Justiça. Estes documentos que precisaram ser supridos se perderam em um incêndio no cartório de Garibaldi em 1909.
Finalmente, no início de 2009, tudo estava corrigido e reposto, beleza. Neste meio tempo, o bonitão da foto aí em cima voltou ao poder na Itália e as regras mudaram, ficaram mais rígidas. Essas mudanças levaram à descoberta de esquemas de brasileiros que se aproveitavam da destruição dos cartórios (outros dois da Serra também pegaram fogo) para forjar os documentos da cidadania. Sabe aquela história de ser amigo do juiz, do promotor, etc? Pois é.
Então, em dezembro de 2009, já com a passagem comprada, documentos traduzidos e cerca de R$ 8 mil mais pobre (mais ou menos o que a família toda gastou com o processo desde o início), fui ao consulado “legalizar” meus documentos. O Brasil não é signatário da Convenção de Haia, nossos documentos não tem validade lá fora sem isso.
E a legalização foi negada. Não tenho direito à cidadania italiana porque a certidão de casamento do meu trisavô Secondo, o imigrante, e a de nascimento do filho dele, meu bisavô Olympio, foram consumidos pelas chamas do fogo do inferno que queimou o maldito cartório de Garibaldi! A única possibilidade de reverter isso é encontrar um documento assinado pelo Secondo reconhecendo o Olympio como filho dele.
Ter apresentado os documentos religiosos, outros papéis da época, registrados em cartório, onde diz FILHO LEGÍTIMO, e ter encontrado um irmão do meu bisavô ainda vivo, com 96 anos, que poderia confirmar o parentesco de Secondo e Olympio, não conta para as autoridades italianas.
Continuo procurando algo improvável, tipo partilha de bens ou registro de imóvel onde possa ter a assinatura do velho e que cite os filhos, mas já era, já.
Só me resta casar. Rá!
