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Às 13h já esperava o Dani aflitamente, às 13h05min não posso descrever. Estava ali, no lugar que ele tinha me deixado, com três mochilas que devem pesar mais de 60 quilos juntas.
Às 13h10min, ouvindo a terceira chamada para o trem, resolvi me arrastar com a bagagem até a plataforma e sair do local onde havíamos combinado de nos encontrar. Nosso vagão era o terceiro da primeira classe, que ficava la no fundão, mas os bilhetes estavam comigo e o Dani não sabia desses detalhes.
Caminhava ao lado do trem como uma presidiária que carrega a bola de ferro presa ao pé (sonhava com a mala de rodinhas). Talvez ele tivesse chegado e ído direto para o trem, pensava enquanto o procurava. Quando o guardinha apitou para mim e o moço no auto-falante pediu para “manter distância da linha amarela”, me dei conta que as portas estavam fechando. Corri até a entrada mais próxima a tempo de trancar com a mão, ela se abriu enquanto eu orava: não fecha, não fecha! Ao som dos apitos cada vez mais próximos, fiz isso outras três vezes. Eis que vi o Dani lá no início do plataforma e gesticulei com toda a força que me restava para ele entrar no trem.Vi que ele se dirigiu a porta e ergueu o braço como quem se segura para subir e não pensei duas vezes, até porque o guardinha já tava quase me alcançando com aquele apito infernal. Entrei.
Atravessei uns cinco vagões com dois mochilões e uma mochila pequena. Larguei as três no assento e fui procurar alguém da Trenitalia para que chamasse o Dani no auto-falante, afinal ele não sabia qual era a nossa poltrona.
Ri do funcionário quando me disse que tinham ligado para ele avisando que um “ragazzo” não conseguiu subir no veículo e que sua namorada estava no trem com seu bilhete. Não queria acreditar. Me rendi quando o tio ligou para o seu colega e confirmou: eu deixei o Dani.
Ele pegou outro trem e chegou em Milão uma hora depois de mim, mas a merda tava feita, afinal perderíamos a baldeação para Genebra. E perdemos.
Tivemos que pagar a taxa de reserva outra vez para outros dois bilhetes. Menos 20 euros. Como chegaríamos na Suíça às 23:18, resolvemos dormir em Genebra e encontrar os franceses no domingo. Cansados, sem almoço e nenhum franco-suíço no bolso, entramos no primeiro McDonald’s e o Albergue da Juventude nos acolheu- por outros 73 euros que não estavam previstos no orçamento.
Mas daqui da França, depois de tanto azarão, comendo muito bem, longe de Camerino, vivendo os melhores dias da nossa viagem, talvez os melhores de nossas vidas, toda experiência parece positiva.













