Confere as fotos do bundalelê veneziano.
Confere as fotos do bundalelê veneziano.
Uma das noites mais legais que passamos aqui na Itália, seja pela atração principal ou pelo que rolou depois, foi na cidade de Caldarola. A escola organiza todos os meses, no inverno, um jantar no Castello Pallota, que é uma das construções históricas do gênero mais bem conservadas do país.
Aliás, parênteses. Uma coisa com que logo se acostuma em solo italiano é a hipérbole. Se não for o mais antigo, o maior, o mais bem conservado, o mais bem conservado coberto com tal tipo de mármore, ou o único construído com oito tipos de mármores, é o segundo maior, o terceiro mais bem conservado, etc. Fecha parênteses.
Para entrar no clima, houve uma visita guiada pelos principais aposentos da mansão construída na Idade Média. Cozinha, sala de estar, biblioteca, escritório, boudoir, sala de descanso, dormitório dos hóspedes, banheiro, uma espécie de garagem onde ficam as carruagens de várias épocas.
O que normalmente ocorre em castelos que viram atrações turísticas por aqui são modernizações para receber hóspedes e abrigar festas que acabam descaracterizando o lugar – que provavelmente já estava detonado. São realizadas melhorias, troca de móveis, uma pinturinha ali, outra lá, eis que aos poucos a identidade do lugar se perde.
O diferencial do casebre dos Pallota – família nobre que ainda hoje é proprietária do lugar – são detalhes como obras de arte, utensílios de cozinha, móveis, armas e uniformes originais. A evolução foi natural, e algumas das últimas “modernizações” foram energia elétrica, água corrente e vaso sanitário, instalados há mais de século.
Mais recente é o restaurante, instalado onde era a gendarmeria. Pela segunda vez aqui na Itália me lembrei do Pônei Saltitante. A noite continuou com vino, pasta e cantoria. Teve karaokê comandado pelos professores, que também fiscalizavam quem comia massa usando a faca. Onde já se viu.
Vamos poupar nossos 11 leitores do vídeo do assassinato de “La bella polenta”.
Não conheço outras cidadezinhas européias com mais de mil anos, então minhas referências são do Brasil. Não se espera muito de um lugar com 7 mil habitantes no Rio Grande do Sul. Uma praça onde o pessoal se reúne, um ou dois barzinhos legais, talvez um restaurante que faça valer a pena botar o pé pra fora de casa e festa no clube em alguns finais de semana.
E foi por isso que Camerino surpreendeu. Sim, é pequena, se conhece o centro histórico em um dia, caminhando e se perdendo pelas ruelas. Ok, tem uma universidade pública e atrai muita gente de fora por isso. Mas tem três ou quatro cafés que não fazem feio diante dos de Buenos Aires ou Roma, mais uns quatro restaurantes bons – só conhecemos um até agora, o Noé, excelente -, pubs, discotecas, bares, loja de chocolates (!), wi-fi na praça (embora a praça esteja em reforma, sem piso), palácios, igrejas quase tão antigas quanto a cidade, museus e parques.
Um deles, o Parco della Rocca dei Borgia, uma fortaleza construída numa extremidade da cidade poderia ser locação do Senhor dos Anéis. Merece um post a parte. É de lá a vista desta foto.
Outra coisa tri daqui é o Teatro Fillipo Marchetti, de 1856, restaurado na década de 80 e que recebe peças e concertos regulares.
E tem um cinema que não virou Igreja Universal, com sessões regulares em dias úteis e inúteis.
Sabíamos que nosso destino era uma cidade pequena, medieval, e que a região, montanhosa, era bem mais fria do que Roma. Camerino não poderia ter criado melhor impressão na chegada.
Essa abaixo era a vista da janela do nosso quarto no domingo à noite, pouco depois de o ônibus que nos trouxe da capital parar próximo ao elevador que leva ao centro histórico da cidade.
Não dá para perceber na foto, mas estava nevando e nevou a durante toda aquela noite. E essa era vista do mesmo lugar, pela manhã:
Na bilheteria onde compramos o ingresso para subir até a cúpula da Basílica de São Pedro:
Fuga: Há desconto para estudante?
Moço não muito simpático: Não.
Fuga: E para jornalista? (mostrando a carteira vermelha)
MNMS: Não. Dois ingressos?
Fuga: Sim.
MNMS: Escada?
Fuga: Sim.
MNMS: 10 euros.
No Museu do Vaticano:
Fuga: Sou católico. Tem desconto?
Santo Cobrador: Não.
Fuga: Nem para os batizados pelo padre Guido?
SC: Não.
Fuga: E filhos de Deus?
SC: Todos somos.
Fuga: E para jornalistas?
SC: 15 euros.
O Vaticano foi o único lugar em Roma onde não teve arrego. O museu, onde fica a Capela Sistina, é uma amostra do poder, das obras e da fortuna acumulada pela Igreja através dos séculos. Gostamos mais dos Museus Capitolinos, pelo acervo voltado ao Império Romano, mas este também é uma parada obrigatória.

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Ó, mãe, eu empacotadinho.
Reservamos os últimos dias em Roma para conhecer o Vaticano, a Meca dos católicos e japoneses. Na sexta, fomos à Praça de São Pedro, atualmente patrocinada pela TIM (outdoor acima).
Na construção da basílica-mãe, foram usadas até pedras do Coliseu, saqueado em nome da fé (segundo uma professora da Aline, não conseguimos confirmar).
Até crianças em grupos guiados assumem tom reverencial ao cruzar as gigantescas portas, e o som do lugar é o dos sussurros e estalar de máquinas fotográficas. Obras como a Pietá ou o baldaquino já valem a visita, só que o lugar reserva mais uma atração para devotos dispostos como nós. Há quem prefira a confissão. Nós decidimos expiar nossos pecados subindo até a cúpula da igreja.
Com elevador até o terraço, o preço é 7 euros. Pela escada, 5. Pagamos os 5 e chegamos bem lá em cima, debochando de quem pagou os dois euros a mais. O que ninguém avisa lá embaixo, na hora da venda do santo ingresso, é que a parte do elevador só cobre um terço da subida. A escada do terraço à cúpula tem cerca 70 centímetros de largura na maior parte do percurso, circular, com degraus estreitos e altos, onde conseguia apoiar metade do meu pé 42.
Há poucos lugares em que se pode parar para retomar o fôlego, e não tem como voltar depois que se começa porque há uma fila de gente subindo e duas pessoas não conseguem dividir o vão. Lá de cima se tem uma vista 360 graus da cidade, mas se alugasse um helicóptero também teria.
Minha penitência, como se os cinco euros e sei lá quantos degraus não bastassem, foi uma lesão no tendão de Aquiles e andar manca e lentamente há três dias.
Já estamos em Camerino, que está coberta de neve. Aguardem.
Fizemos mais uma incursão pelo centro histórico ontem, com um roteiro mais ou menos traçado, que acabou sendo inútil. É tanta coisa para se ver em um espaço tão pequeno que fomos para o lado oposto.
O plano era seguir da Piazza Venezia e ver algumas catedrais nos arredores. Na frente da praça fica também o monumento a Vittorio Emanuele (abaixo), primeiro rei da Itália unificada.
O “bolo de noiva” monumental impressiona, e a vista da cidade é fantástica. Foi lá de cima que avistamos o Coliseu e Fórum Imperial, e o roteiro foi pra banha. Nossos dois guias não davam a idéia de que eram tão próximos.

Decidimos guardar o melhor pro final. Atrás do monumento do rei, fica o Capitólio, um conjunto arquitetônico projetado por Michelangelo (o artista renascentista, não a tartaruga ninja).
Dois prédios, o Palazzo dei Conservatori e o Palazzo Nuovo, de fachadas idênticas, abrigam os Museus Capitolinos. O preço, 8,50 euros por pessoa, e uma possível overdose de arte sacra nos deixaram em dúvida. Daí sacamos nossas carteiras pela primeira vez em Roma: a minha de jornalista e a de estudante da Aline. E não é que tchararã! Entramos de graça. O ingresso da Aline só foi gratuito por que ela estuda Arquitetura.
Os museus valem a visita, a maior parte do acervo é de obras da Roma Antiga, inclusive o que sobrou do Templo de Júpiter, descoberto durante a construção dos prédios, que são ligados por um túnel. No lugar mais inesperado, ali embaixo, nos deparamos com o Fórum Romano ao entardecer, com a Lua cheia já alta no céu. Uma daquelas coisas que justificam a viagem.
Saímos dali em busca de um lugar próximo para jantar, e depois de um pint de Guiness num pub irlandês chinelo, seguimos a recomendação do guia que compramos aqui em Roma. A Taverna Romana (Via Madonna dei Monti, 79) nos proporcionou a melhor refeição desde a chegada, e a mais em conta também, com um litro de vinho a cinco euros.
Mas meus amigos, sim, era noite, estávamos cansados e com muito, muito frio. Só que ver o Coliseu à noite, sob a lua impecável, sem vivalma na rua, e tocar naquela parede milenar, foi algo que fez encher os olhos de água.
Temperatura durante o dia em Roma na terça: entre 0 e -4
Temperatura média durante a noite em Roma: frio pracaraio!
Ontem ainda choveu muito aqui, e a função das mochilas nos prendeu em casa até o almoço. Começa a escurecer antes das 17h, o frio aumenta e é difícil ficar depois das 21h na rua. Chegamos ao Pantheon antes do fechamento e ainda deu tempo de jantar lá no centro e encarangar até em casa.

Fomos deixando e perdemos, momentaneamente, a chance de visitar a Ilha Fiscal. Passamos muito perto, em pleno feriado de Carnaval. Eu estava interessada em conhecê-la, mas agora é um dos locais confirmados para a próxima viagem ao Rio. A foto foi tirada de dentro da barca que leva a Niterói.
Nesse palácio neogótico aconteceu o último baile do Império, em 1889, diz o guia.
Aline