pra onde eu vou, venha também

Lausanne, como Chambèry, vai ficar marcada para nós não só pela bela cidade que é, mas pela companhia. Ficamos hospedados na casa dos meus primos Thais e Patrick, que nos adotaram por oito dias. No segundo, nos levaram para conhecer um castelo numa cidade vizinha. Ok, castelos são interessantes.

Mas o tri em Gruyère, cidadezinha onde foi inventado o queijo de mesmo nome, que parece ter mais ovelhas e vacas do que habitantes, é o Museu H.R. Giger. Esse suíço é o responsável pelo visual do Alien. O bicho, a nave de ossos, o casulo, tudo coisa dele, só que o cara é mais pirado do que parece. Se for a Gruyere comprar um queijinho, recomendo uma passada no museu.

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Chegamos na França domingo, 25 de abril, com a expectativa de rever os amigos Michel, Mireille, Danielle e Marie, conhecer sua cidade, Chambéry, e ir embora no dia seguinte. Por dois motivos: não interferir com a rotina deles e seguir nosso orçamento, já que poderíamos comprometer as viagens para Paris e Barcelona. Acabamos ficando quatro dias.

Mireille foi a nossa guia a maior parte do tempo. Michel nos acolheu em sua casa e nos levou ao Mont Blanc, o ponto culminante (capisci?) da viagem e lugar mais afudê que já vimos na vida. Passamos até um dia de sol e calor (30°C!) em Lyon, acompanhados de Marcel, que conhecemos em um jantar no primeiro dia de França, e Marie. A programação foi intensa, coordenada por eles, que deixaram suas vidas de lado para nos mostrar os lugares mais belos da região, entre pausas para se empanturrar com a culinária francesa.

Foram dias cheio de surpresas, entre elas a primavera, que parece ter deixado a Itália por último este ano.

Veteranos durante o Dia da Memória em Aix-les-Bain

Cidades dos bilionários russos e árabes nos Alpes franceses

Terraços do Aiguille du Midi no Mont Blanc

Chamonix, cidade dos esquiadores ao pé do Mont Blanc

Annecy, a Veneza da Savóia

Orla do Rio Rhône em Lyon

Chambèry, capital do grande Reino de Savóia, perto da fronteira com a França

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Por todo a Itália existem igrejas construídas sobre ruínas de templos romanos ou templos descaracterizados e transformados em igreja (o Pantheon é um exemplo). Muitos locais, como o Coliseu, foram saqueados por ordem de papas que precisavam de mármore e pedras para erigir suas igrejas (o que os barbáros não fizeram, fizeram os Barberini).

Pompéia só existe como principal testemunho do cotidiano de uma civilização porque foi consumida pelo Vesúvio, e não pela ação humana. Não fosse a erupção devastadora em 79 d.C., provavelmente a urbe romana seguiria o curso “natural”, daria lugar a uma cidade medieval, e o pouco que restasse de suas ruínas acabaria soterrado.


O sítio arqueológico tem 45 hectares e é cansativo caminhar pelo calçamento, original, feito de grandes pedras. No ponto mais distante da entrada, fica o Anfiteatro, onde o Pink Floyd gravou o show afudê em 1972.

Dali, depois das longas caminhadas do dia, seguimos para Nápoles procurar o hostel, que fica no centro da cidade, “a piú bella del mondo”, segundo uma FM local. Chegamos sabendo se tratar da cidade mais perigosa do país, principalmente por causa dos furtos de carro e batedores de carteira, e todos havíamos ouvido qualquer coisa sobre o trânsito caótico. Ok, viemos do Brasil, ignoramos roubos praticados por pessoas desarmadas e somos todos pilotos de F-1.

Era por volta das 18h de domingo quando o GPS nos colocou no centro de Nápoles. O tráfego não era muito intenso e vimos algumas barbaridades, como carro cortando a frente de outro, invadindo o corredor de ônibus e scooters ziguezagueando entre os carros. Encontramos o albergue, que é simples, limpo, barato e bem localizado. Conforme anoitecia, o movimento nas ruas e a tensão aumentavam, coisa que só vê aos domingos em Porto Alegre em dia de jogo no Olímpico.


Numa das poucas saídas com o carro pela cidade, um Cinquecento desses novos cortou a frente do nosso Touran. Já havíamos nos adaptado aos esquemas para atravessar cruzamento ou mudar de pista, audaciosamente metendo o carro onde quer que fosse, xingando até a quinta geração do piloto adversário. Foi o que o Luiz fez, usando todo o vocabulário, inclusive gestual, adquirido em três semanas de curso de italiano. O napoletano se aborreceu, seguiu nosso carro até o semáforo, desceu e tentou abrir a porta, mas foi impedido por nosso bravo motorista, que segurou e conseguiu trancar a porta rapidamente.

Fizemos pequenos giros por Nápoles à noite, não dá para dizer que realmente conhecemos o lugar. O suficiente para ver aquela dos filmes: de belas paisagens, caótica, barulhenta, feia e pobre na periferia, como uma cidade brasileira. E com um povo que fala quase gritando, gesticulando exageradamente, um tanto malandro. Na Solo Pizza, uma pizzaria no centro, o garçom não teve dó da turistada. Nos cobrou, sem aviso prévio, 12 euros a mais por que pedimos pizza com dois sabores, além de 10% de serviço e 1,20 euros por cabeça por termos decidido sentar.

No dia seguinte, teríamos de devolver o carro na locadora à tarde, e decidimos retornar pelas curvas da Costa Amalfitana. A viagem de volta ficou cento e poucos quilômetros mais longa, choveu e uma neblina cobria toda a região, mas um pacto feito no carro me obriga a dizer que estava um dia lindo, e nós amamos.

Balanço da viagem:

Hostel: 12 euros por pessoa
Aluguel do carro: 256 euros
Combustível e pedágio: ~120 euros
Total por pessoa: 76 euros
Ter o Luiz como motorista: não tem preço!

Alguns lembretes para a próxima:

- A carteira de habilitação brasileira vale por um ano aqui
- Alugar pelos sites é mais barato do que nas locadoras
- Reservas feitas pela Internet não são confirmadas na hora, por isso é preciso fazê-las com no mínimo dois dias de antecedência
- Evite locar nos finais de semana, quando os negócios funcionam em horários ainda piores do que durante a semana fora das grandes cidades
- Só alugue carros a diesel, são tão silenciosos e eficientes quanto carros a gasolina no Brasil, só que é bem mais barato (em média 1,15 euro, contra 2 da gasolina)
- Evite entrar de carro em Nápoles se não for um motorista experiente
- Se for depender de GPS, se certifique de que os mapas são atualizados

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Superamos o trecho mais complicado na primeira hora. Nos arredores de Camerino, as curvas em U das estreitas estradas entre as montanhas tornam a viagem lenta. Nas autoestradas, a velocidade máxima varia de 110 a 130 km/h. Seguindo os comandos do GPS, a ida foi tranquila.

Para chegar a Vesúvio, foi preciso pegar uma estrada secundária, e foi aí que a Tia do GPS, uma senhora italiana de meia idade, começou a nos faltar. Entre retornos que não existem mais e contramãos nas ruas da periferia de Nápoles, acabamos pagando 3 euros a mais em pedágio, 1 por cada reingresso, proposital ou não, na autoestrada.


É possível subir de carro boa parte do Vesúvio, até o acesso ao parque que cerca o monte, onde se paga 2 euros pelo estacionamento e mais 9 euros para seguir o percurso a pé (4,50 com desconto para estudante ou jornalistas). A subida é difícil, 40 minutos de luta contra um vento gelado, que junto com a diferença de altitude causa forte dor nos ouvidos.

Mesmo que descontada a bela vista da costa napolitana, caminhar sobre o vulcão que entrou para a história como sinônimo de morte e destruição, em meio ao vapor que brota das rochas e escutando apenas o assovio do vento, é algo pro resto da vida .

À tarde, depois de deixarmos mais uns 3 euros no pedágio por conta da Tia do GPS, seguimos para Pompéia. O ingresso para o sítio arqueológico tem uma particularidade que ainda não conseguimos entender. O desconto para estudantes é válido apenas para europeus – e brasileiros de Santa Catarina ou Paraná. O bilhete para os outros mortais custa 11 euros, mas sai de graça para museólogos e jornalistas (chupa, Vaticano!). Fim da parte 2.

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Levamos ao extremo a inconseqüência no planejamento com a viagem a Pompéia e Nápoles. Decidimos ir na quinta, na sexta começamos a nos mexer para alugar um carro para seis, sete, ou nove pessoas, e acabamos sem furgão no sábado.

Depois de várias tentativas de reserva por telefone nas locadoras da região de Camerino, decidimos pegar uma Ducato em Perugia numa promoção do site da Avis. A cidade era destino de uma excursão da escola no sábado. No caminho, recebemos um e-mail da locadora dizendo que não havia mais kombão disponível, mi dispiace.

Brasileiros que somos, naumdesistimonunca, abandonamos os colegas e seguimos rumo à estação de trem perugina tentar a sorte em alguma locadora do local. Entramos na Maggiore 10 minutos antes do fechamento, às 16h50min de sábado.

O preço não foi o melhor e no Volkswagen Touran só cabiam sete pessoas, sendo duas em banquinhos no porta-malas, mas era isso ou dois carros pequenos, o que tornaria a viagem muito cara. Resolvido um dos problemas, surge outro: quem dos oito viajantes não estaria no carro. Depois de uma noite de debates, ficou decidido que duas pessoas iriam de trem.

Aí pela 1h fiz a reserva do quarto em albergue em Nápoles para oito pessoas. Durante a madrugada, agregamos outro elemento, e partimos as 4 da manhã com o carro lotado. Esses são os companheiros de empreitada nas ruínas de Pompéia:


Na foto grande: nós, o Luiz (C), nosso motorista por aclamação, Lídia (E), Karina (D) e Yuri (C, ao fundo). Nas pequenas, o Leandro, que se negou a aparecer na foto grande; Letícia e Giovana, que fizeram a viagem de trem e chegaram mais tarde.

To be continued…

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Neste final de semana, a turma de fevereiro deixou Camerino. Ficamos nós, outros dois gaúchos e três palestinos. Dos que se foram, 34 eram brasileiros, e boa parte do RS.

Acabamos praticando pouco o italiano fora da escola e das situações inevitáveis, como em padarias e fruteiras, mas fizemos muitos amigos, daqueles dispostos a não te deixar pagar mico sozinho. A Aline foi perguntar para um italiano sobre a letra de uma música durante a janta no castelo, e a consequência lamentável taí embaixo.

Esses também foram os parceiros da indiada de carro rumo a Napoli, assunto do próximo post.

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Tinha esquecido de contar essa. Aqui em Camerino, com a quantidade de gente do Brasil, era de se esperar alguém que trabalha com teu ex-colega de faculdade em Porto Alegre. Um índio de Santa Maria que conhece o irmão do teu amigo de Horizontina. Ou até o cara de Campo Grande que estuda Engenharia Mecânica em Floripa e é colega de alguém da tua cidade de 13 mil habitantes no noroeste do RS.

Nos hospedamos em Roma na casa de uma família, como havia contado, que nos recebeu muito bem. A mulher, Neusa, é gaúcha e mora em Roma há mais de 20 anos, vive com marido e filho em um grande apartamento a 10 minutos do centro.

Quem nos passou o contato dela foi o pessoal da assessoria aí em Porto Alegre, e a Neusa só recebe quem eles indicam. Lá pelo quarto dia em Roma, estávamos conversando na cozinha e começamos a falar da enxurrada que havia atingido o Rio Grande na virada do ano. Comentei que havia me impressionado ao passar por Marques de Souza em janeiro, que estava coberta de lama.

- Eu conheço Marques de Souza, passo por lá quando volto pra casa visitar minha mãe.

- Mas de onde tu é?

- Tenente Portela.

A família ainda vive no interior de Derrubadas, ex-distrito de Portela. Ela conhece “os Rosa Lopes” e é amiga de uma prima minha que vive na Suíça há quase 30 anos. Tenente Portela, coração do mundo.

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Depois de lesionar o tornozelo no Vaticano, ter uma crise de rinite que provocou um baita resfriado, fiquei sem voz após a festa no castelo, terça-feira. Ainda não sei se a causa foi a cantoria em italiano ou a brincadeira na neve às 2 da manhã.

Antestardedoquenunca: a Marcela, uma das sócias majoritárias do blog Velha Amiga, deu uma entrevista sobre os 7errantes na Rádio Gaúcha. Confere aqui.

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Da esquerda para a direita:  Aline, Daniel, Alexandre, Adriane, André, Ana, Marcela e Marcelo

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