pra onde eu vou, venha também

Ver Amsterdã coberta de neve, mesmo que tenha sido da janela da ponte de desembarque, foi uma recompensa após o voo desde Guarulhos. Nunca tínhamos feito viagem tão longa e em um avião deste porte, mas as coisas começaram a dar erradas no guichê da KLM/Air France em São Paulo.

Pelo site da companhia, havíamos reservado as poltronas para o vôo, 57A e 57B, janela na parte traseira do Boeing. Estávamos tranqüilos, e não checamos as passagens que o funcionário da companhia nos passou. Grande erro. Quando pegamos os bilhetes na mão, pouco antes do embarque, nos demos conta que aquele maledetto em SP tinha trocado os assentos para 36D e 36E, corredor central e no meio do avião, sobre a asa.

Falei com um smurf, mas o avião estava lotado e ele sugeriu que eu pedisse para trocar com quem estivesse nos assentos desejados. Arram. O resumo da história é que o voo só não foi mais desconfortável que viajar de Porto Alegre a Tenente Portela por que o ônibus da Ouro e Prata para em quase todas as placas de Coca-Cola no caminho.

Nem a TV na poltrona, com games, seriados americanos e filmes recém-lançados no Brasil, como Bastardos Inglórios e Distrito 9, compensou a falta de espaço, a pouca inclinação das cadeiras e o movimento intenso no corredor.

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Deveríamos ter deixado Guarulhos às 21h05min de domingo, mas o Boeing 777-300 da KLM chegou atrasado a São Paulo. Com isso e mais uma checagem de documentos no desembarque, a conexão na Holanda, prevista para ter uma hora e quinze minutos, teria 45 minutos.

N.A: Leitorinho, dê play antes de continuar.

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Saímos apressados do portão “E” alguma coisa rumo ao B17. Tinham nos avisado que Schiphol era grande, mas puta merda. Entramos na primeira fila diante de uma placa “passports” que vimos e, óbvio, era a errada.

Bela guarda holandesa – English?

Nós – Yes.

BGH, olhando os passaportes – O que trás vocês a Holanda?

Nós – Estamos fazendo uma conexão para Roma.

BGH, olhando as passagens – Vocês estão no lugar errado. E estão atrasados! O horário de embarque era 12h30min.

Nós – Sim, nosso vôo chegou depois do horário e estamos atrasados!

BGH – Dobrem a direita aqui, tem outro checkpoint como esse a uns 200 metros. Corram com o passaporte na mão e digam que estão atrasados.

Nós, virando as costas e iniciando desabalada carreira – Ok, thanks!

BGH, aos berros – Run, run like Forest Gump!

Ao som das gargalhadas do pessoal que estava na fila, partimos rumo ao próximo guichê, que ficava a uns 400 metros. Era 12h45min. Cerca de uma centena de pessoas se aglomerava na frente, inclusive brasileiros que estavam no nosso vôo e que também tinham conexão marcada para 13h.

Abordamos a primeira smurfete da KLM que vimos:

Nós, esbaforidos – Estamos atrasados!

Smurfete, olhando as passagens – sim, vocês estão muito atrasados! Sigam-me.

A smurfete disse alguma coisa em holandês para o oficial, passamos na frente de toda a fila por um portão lateral e fomos ao primeiro guichê liberado. E assim chegamos à temida Imigração. Com muito sono, sem fôlego, perdidos e atrasados. Sim, caros 11 leitores, é aquele momento que provocou meses de apreensão, que poderia resultar no retorno a Porto Alegre já nesta quarta-feira.

Ele durou aproximadamente 10 segundos, tempo que o holandês levou para verificar os passaportes e carimbar, sem olhar para a nossa cara!

E daí a carreira realmente começou. Tínhamos 12 minutos para chegar ao B17. Corremos por saguões e esteiras por mais de um quilômetro, e quando estávamos a 400 metros do destino, outra smurfete começou a gesticular e gritar “mais rápido, mais rápido, vamos”, em inglês.

Entregamos as passagens “just in time” e nos acomodamos no Airbus da Alitalia que nos traria a Roma quatro minutos antes do horário de partida.

Gostaríamos de agradecer à equipe da KLM pela torcida e pela ajuda nos momentos difíceis, sem vocês este post não seria possível.

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Se o avião não cair (toc, toc toc) e a imigração em Amsterdã não nos mandar de volta — ao que pretendo resistir a ponto de conseguir, pelo menos, uns dias em uma cadeia europeia —, chegamos em Roma nesta segunda. E essa é a única parada certa além de Camerino. Ao contrário dos outros Errantes e do Felipe, não tenho muita paciência para planejar viagens.

Pesquiso sobre os lugares, claro, até para amenizar a ansiedade, mas não sei como armaria uma viagem como eles fizeram, com vários destinos em um curto espaço de tempo. Até porque isso compromete um lado legal das viagens — o inesperado. Vai ser como nossas viagens anteriores, um mapa na mão e nenhum compromisso.

Estamos neste momento em Guarulhos, aguardando o voo para Amsterdã, e devemos desembarcar em Roma às 15h. Não sei como vai ser o acesso à internet por lá, já que vamos ficar na casa de uma família, mas prometemos posts da Cidade Eterna.

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Bom, já sabem que Camerino é pequeno, bem pequeno, e alguns de nossos 11 curiosos leitores devem estar se perguntando o que se faz neste lugarejo. Aí é que entra a Scuola Dante Alighieri.

O pacote curso+hospedagem+passeios  é o grande lance da instituição que recebe pessoas do mundo todo, de todas as idades e em todos os períodos do ano. As turmas são formadas por nível de conhecimento do italiano, através de um teste realizado no primeiro dia de aula ( quem parla niente também tem vez).

Nosso contato com a Escola, bem como a assessoria na papelada da cidadania, os acertos de hospedagem (quarto individual com banheiro e cozinha compartilhada) e reserva de vaga ocorreu através da representante da Dante aqui em Porto Alegre, a Ciao Itália.

O cronograma da Dante inclui jantares, debates sobre filmes italianos, excursões a Florença, Assis, Perugia, Gúbio, Grutas de Frasassi, Riviera do Conero, Loreto, Tolentino e Castelo Caldarola, discoteca, noite de música italiana e videokê, aulas de cozinha italiana, jantar internacional. Os destinos das excursões podem ser alterados se o grupo de estudantes tiver interesse e mais viagens podem ser programadas mediante $.

Como vamos fazer o curso por dois meses, devido à espera pela cidadania, que pode chegar a três meses, o cronograma será repetido no segundo mês, isso seria um pouco chato, por isso reservamos esse período para fazer nossos passeios pela Itália.

Outra coisa legal é que escola funciona junto da Unicam, uma das universidades mais antigas do mundo, com mais de 800 anos. Podemos utilizar o restaurante universitário a módicos 4 euros, quadra de esportes, bibliotecas e toda a infra-estrutura do campus.

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Silvio, je t'aime
Além de querer conhecer o país e continuarmos o estudo do idioma, uma das razões de termos escolhido a Itália _ e especificamente Camerino _ foi a possibilidade de termos a cidadania italiana reconhecida em três meses, enquanto no Brasil a espera na fila pode passar de 10 anos.

A Aline vai fazer pela família dela, uma prima já tinha buscado todos os papéis, foi só acrescentar o que faltava, barbada. Já o meu caso foi bem mais complicado, se arrasta há cinco anos entre busca de documentos, correções e suprimentos na Justiça. Estes documentos que precisaram ser supridos se perderam em um incêndio no cartório de Garibaldi em 1909.

Finalmente, no início de 2009, tudo estava corrigido e reposto, beleza. Neste meio tempo, o bonitão da foto aí em cima voltou ao poder na Itália e as regras mudaram, ficaram mais rígidas. Essas mudanças levaram à descoberta de esquemas de brasileiros que se aproveitavam da destruição dos cartórios (outros dois da Serra também pegaram fogo) para forjar os documentos da cidadania. Sabe aquela história de ser amigo do juiz, do promotor, etc? Pois é.

Então, em dezembro de 2009, já com a passagem comprada, documentos traduzidos e cerca de R$ 8 mil mais pobre (mais ou menos o que a família toda gastou com o processo desde o início), fui ao consulado “legalizar” meus documentos. O Brasil não é signatário da Convenção de Haia, nossos documentos não tem validade lá fora sem isso.

E a legalização foi negada. Não tenho direito à cidadania italiana porque a certidão de casamento do meu trisavô Secondo, o imigrante, e a de nascimento do filho dele, meu bisavô Olympio, foram consumidos pelas chamas do fogo do inferno que queimou o maldito cartório de Garibaldi! A única possibilidade de reverter isso é encontrar um documento assinado pelo Secondo reconhecendo o Olympio como filho dele.

Ter apresentado os documentos religiosos, outros papéis da época, registrados em cartório, onde diz FILHO LEGÍTIMO, e ter encontrado um irmão do meu bisavô ainda vivo, com 96 anos, que poderia confirmar o parentesco de Secondo e Olympio, não conta para as autoridades italianas.

Continuo procurando algo improvável, tipo partilha de bens ou registro de imóvel onde possa ter a assinatura do velho e que cite os filhos, mas já era, já.

Só me resta casar. Rá!

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Camerino

Numa conversa com a professora de italiano na Acirs, descobrimos a Escola Dante Alighieri em Camerino, que, segundo ela, aliava curso de língua e cultura italiana com assessoria para a cidadania.

Após uma pesquisa de custo-benefício com outras assessorias e claro, e muitas, muitas contas, escolhemos Camerino para armar a barraca (?). A cidade medieval de aproximadamente 7 mil habitantes pertence à  Região de Marche e fica a 150 quilômetros de Roma.

A temperatura lá nessa época do ano fica entre -5 e 10 graus (bye bye, Forno Alegre \o/), e, sim, vamos conhecer a neve e de quebra bevere molto vino e mangiare molta pasta, em casa ou em um dos quatro restaurantes da cidade (4!). Mas não menosprezem questa piccola città ainda. Camerino possui uma universidade com 9 mil estudantes, mais cabecinhas que o total da população.

Os bares também não enchem uma mão, parece até que só tem um, mas só acreditamos vendo. A previsão é de muuuita calmaria, quebrada apenas pela programação da escola. Assunto para outro post.


Visualizar Camerino MC em um mapa maior

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Quase um ano depois do início dos Errantes e uma tentativa meia-boca de começar o blog — como podem ver aí embaixo — embarcamos, eu e a Aline, no próximo dia 24 para Roma. Ficamos por ali uma semana e depois vamos para Camerino, onde faremos curso de italiano e cidadania.

Se tudo der errado, ficamos só na Itália por três meses, com passagens por Veneza, Florença, Assis e outras. Se der certo, seis meses, com um giro pela Europa.

Nas semanas que antecedem a viagem, convidamos nossos 11 pouco seletos leitores a retornar ao blog para detalhes sobre roteiro, orçamento e uaidarrél Camerino. Ah, e vencemos a tosquice técnica e conseguimos colocar as fotos do Rio no blog. Confere abaixo.

Rio de Janeiro

Visita ao Rio no Carnaval de 2009. Primeira de muitas.

80 Photos

 
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Não vai ser bem a estréia do blog, esta viagem para o Rio de Janeiro, mas tinha que começar em algum lugar. Ficaremos 10 dias, durante o Carnaval, evitando a Sapucaí mas não os muitos  cordões, blocos e bailes que quase param a cidade nesta época.  E sempre à procura do boteco perfeito.

Ficaremos na casa de amigos e não temos grandes planos de viagem, só algumas dicas  e um  guiazinho de 16 páginas e muitos mapas, da Folha. Se o blog não for atualizado até o dia 25, por favor, enviem o resgate.

Aline e Daniel

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