Fizemos mais uma incursão pelo centro histórico ontem, com um roteiro mais ou menos traçado, que acabou sendo inútil. É tanta coisa para se ver em um espaço tão pequeno que fomos para o lado oposto.
O plano era seguir da Piazza Venezia e ver algumas catedrais nos arredores. Na frente da praça fica também o monumento a Vittorio Emanuele (abaixo), primeiro rei da Itália unificada.
O “bolo de noiva” monumental impressiona, e a vista da cidade é fantástica. Foi lá de cima que avistamos o Coliseu e Fórum Imperial, e o roteiro foi pra banha. Nossos dois guias não davam a idéia de que eram tão próximos.

Decidimos guardar o melhor pro final. Atrás do monumento do rei, fica o Capitólio, um conjunto arquitetônico projetado por Michelangelo (o artista renascentista, não a tartaruga ninja).
Dois prédios, o Palazzo dei Conservatori e o Palazzo Nuovo, de fachadas idênticas, abrigam os Museus Capitolinos. O preço, 8,50 euros por pessoa, e uma possível overdose de arte sacra nos deixaram em dúvida. Daí sacamos nossas carteiras pela primeira vez em Roma: a minha de jornalista e a de estudante da Aline. E não é que tchararã! Entramos de graça. O ingresso da Aline só foi gratuito por que ela estuda Arquitetura.
Os museus valem a visita, a maior parte do acervo é de obras da Roma Antiga, inclusive o que sobrou do Templo de Júpiter, descoberto durante a construção dos prédios, que são ligados por um túnel. No lugar mais inesperado, ali embaixo, nos deparamos com o Fórum Romano ao entardecer, com a Lua cheia já alta no céu. Uma daquelas coisas que justificam a viagem.
Saímos dali em busca de um lugar próximo para jantar, e depois de um pint de Guiness num pub irlandês chinelo, seguimos a recomendação do guia que compramos aqui em Roma. A Taverna Romana (Via Madonna dei Monti, 79) nos proporcionou a melhor refeição desde a chegada, e a mais em conta também, com um litro de vinho a cinco euros.
Mas meus amigos, sim, era noite, estávamos cansados e com muito, muito frio. Só que ver o Coliseu à noite, sob a lua impecável, sem vivalma na rua, e tocar naquela parede milenar, foi algo que fez encher os olhos de água.
Temperatura durante o dia em Roma na terça: entre 0 e -4
Temperatura média durante a noite em Roma: frio pracaraio!
Ontem ainda choveu muito aqui, e a função das mochilas nos prendeu em casa até o almoço. Começa a escurecer antes das 17h, o frio aumenta e é difícil ficar depois das 21h na rua. Chegamos ao Pantheon antes do fechamento e ainda deu tempo de jantar lá no centro e encarangar até em casa.
Cumprida a maratona de embarque no Schiphol, embarcamos no voo da Alitalia. Eram 13h e não serviram almoço, apenas um minipacote de bolachinhas e bebidas, semelhante ao que a Gol faz no Brasil. Ok, era uma viagem de duas horas. E esse seria o menor dos problemas.
Com duas conexões, uma delas com menos de uma hora, e três companhias diferentes – TAM, KLM, Alitalia –, era pedra cantada. Nossas mochilas não chegaram a Roma.
Fomos ao guichê de atendimento ao passageiro da Alitalia, em Fiumicino, onde garantiram que nos entregariam a bagagem, no nosso endereço em Roma, assim que a encontrassem.
Trouxemos nas mochilas pequenas uma muda de roupa, por precaução. Mas a coisa iria ficar feia se não nos entregassem logo. Além das implicações óbvias, nosso remédio para rinite está lá e desembarcamos em uma Roma chuvosa e fria.
Acordamos às 8h e a nossa anfitriã havia deixado um bilhetinho dizendo que entraram em contato, encontraram as malas e entregariam em breve. Ufa!
Era 9h30min quando tocou o interfone. Prendemos a respiração quando vimos que o plástico, aquele que pagamos R$ 40 no ProtectBag no aeroporto em Porto Alegre, foi arrancado e as mochilas haviam sido abertas.
Revisamos tudo e fora os buracos nas sacolinhas do Zaffari que embalavam os calçados e remédios, tudo estava em seu devido lugar. Ser chinelão tem suas vantagens.
Provavelmente a “inspeção” foi na Alitalia, nos disseram aqui em Roma que isso é comum nos voos da companhia. Notas para a próxima viagem:
- Evitar vôos com muitas conexões
- Se não puder evitar conexões, evite aquelas com menos de duas horas
- Evitar mochilas sem fecho, nas quais não se pode usar cadeado
- Nunca se esquecer da roupa extra na bagagem de mão
- Nunca colocar nada de valor na bagagem despachada
- Sempre desconfiar do que dizem na companhia aérea. Se algo parece ou pode dar errado, provavelmente está e dará errado
Ver Amsterdã coberta de neve, mesmo que tenha sido da janela da ponte de desembarque, foi uma recompensa após o voo desde Guarulhos. Nunca tínhamos feito viagem tão longa e em um avião deste porte, mas as coisas começaram a dar erradas no guichê da KLM/Air France em São Paulo.
Pelo site da companhia, havíamos reservado as poltronas para o vôo, 57A e 57B, janela na parte traseira do Boeing. Estávamos tranqüilos, e não checamos as passagens que o funcionário da companhia nos passou. Grande erro. Quando pegamos os bilhetes na mão, pouco antes do embarque, nos demos conta que aquele maledetto em SP tinha trocado os assentos para 36D e 36E, corredor central e no meio do avião, sobre a asa.
Falei com um smurf, mas o avião estava lotado e ele sugeriu que eu pedisse para trocar com quem estivesse nos assentos desejados. Arram. O resumo da história é que o voo só não foi mais desconfortável que viajar de Porto Alegre a Tenente Portela por que o ônibus da Ouro e Prata para em quase todas as placas de Coca-Cola no caminho.
Nem a TV na poltrona, com games, seriados americanos e filmes recém-lançados no Brasil, como Bastardos Inglórios e Distrito 9, compensou a falta de espaço, a pouca inclinação das cadeiras e o movimento intenso no corredor.
Deveríamos ter deixado Guarulhos às 21h05min de domingo, mas o Boeing 777-300 da KLM chegou atrasado a São Paulo. Com isso e mais uma checagem de documentos no desembarque, a conexão na Holanda, prevista para ter uma hora e quinze minutos, teria 45 minutos.
N.A: Leitorinho, dê play antes de continuar.
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Saímos apressados do portão “E” alguma coisa rumo ao B17. Tinham nos avisado que Schiphol era grande, mas puta merda. Entramos na primeira fila diante de uma placa “passports” que vimos e, óbvio, era a errada.
Bela guarda holandesa – English?
Nós – Yes.
BGH, olhando os passaportes – O que trás vocês a Holanda?
Nós – Estamos fazendo uma conexão para Roma.
BGH, olhando as passagens – Vocês estão no lugar errado. E estão atrasados! O horário de embarque era 12h30min.
Nós – Sim, nosso vôo chegou depois do horário e estamos atrasados!
BGH – Dobrem a direita aqui, tem outro checkpoint como esse a uns 200 metros. Corram com o passaporte na mão e digam que estão atrasados.
Nós, virando as costas e iniciando desabalada carreira – Ok, thanks!
BGH, aos berros – Run, run like Forest Gump!
Ao som das gargalhadas do pessoal que estava na fila, partimos rumo ao próximo guichê, que ficava a uns 400 metros. Era 12h45min. Cerca de uma centena de pessoas se aglomerava na frente, inclusive brasileiros que estavam no nosso vôo e que também tinham conexão marcada para 13h.
Abordamos a primeira smurfete da KLM que vimos:
Nós, esbaforidos – Estamos atrasados!
Smurfete, olhando as passagens – sim, vocês estão muito atrasados! Sigam-me.
A smurfete disse alguma coisa em holandês para o oficial, passamos na frente de toda a fila por um portão lateral e fomos ao primeiro guichê liberado. E assim chegamos à temida Imigração. Com muito sono, sem fôlego, perdidos e atrasados. Sim, caros 11 leitores, é aquele momento que provocou meses de apreensão, que poderia resultar no retorno a Porto Alegre já nesta quarta-feira.
Ele durou aproximadamente 10 segundos, tempo que o holandês levou para verificar os passaportes e carimbar, sem olhar para a nossa cara!
E daí a carreira realmente começou. Tínhamos 12 minutos para chegar ao B17. Corremos por saguões e esteiras por mais de um quilômetro, e quando estávamos a 400 metros do destino, outra smurfete começou a gesticular e gritar “mais rápido, mais rápido, vamos”, em inglês.
Entregamos as passagens “just in time” e nos acomodamos no Airbus da Alitalia que nos traria a Roma quatro minutos antes do horário de partida.
Gostaríamos de agradecer à equipe da KLM pela torcida e pela ajuda nos momentos difíceis, sem vocês este post não seria possível.
Se o avião não cair (toc, toc toc) e a imigração em Amsterdã não nos mandar de volta — ao que pretendo resistir a ponto de conseguir, pelo menos, uns dias em uma cadeia europeia —, chegamos em Roma nesta segunda. E essa é a única parada certa além de Camerino. Ao contrário dos outros Errantes e do Felipe, não tenho muita paciência para planejar viagens.
Pesquiso sobre os lugares, claro, até para amenizar a ansiedade, mas não sei como armaria uma viagem como eles fizeram, com vários destinos em um curto espaço de tempo. Até porque isso compromete um lado legal das viagens — o inesperado. Vai ser como nossas viagens anteriores, um mapa na mão e nenhum compromisso.
Estamos neste momento em Guarulhos, aguardando o voo para Amsterdã, e devemos desembarcar em Roma às 15h. Não sei como vai ser o acesso à internet por lá, já que vamos ficar na casa de uma família, mas prometemos posts da Cidade Eterna.
Bom, já sabem que Camerino é pequeno, bem pequeno, e alguns de nossos 11 curiosos leitores devem estar se perguntando o que se faz neste lugarejo. Aí é que entra a Scuola Dante Alighieri.
O pacote curso+hospedagem+passeios é o grande lance da instituição que recebe pessoas do mundo todo, de todas as idades e em todos os períodos do ano. As turmas são formadas por nível de conhecimento do italiano, através de um teste realizado no primeiro dia de aula ( quem parla niente também tem vez).
Nosso contato com a Escola, bem como a assessoria na papelada da cidadania, os acertos de hospedagem (quarto individual com banheiro e cozinha compartilhada) e reserva de vaga ocorreu através da representante da Dante aqui em Porto Alegre, a Ciao Itália.
O cronograma da Dante inclui jantares, debates sobre filmes italianos, excursões a Florença, Assis, Perugia, Gúbio, Grutas de Frasassi, Riviera do Conero, Loreto, Tolentino e Castelo Caldarola, discoteca, noite de música italiana e videokê, aulas de cozinha italiana, jantar internacional. Os destinos das excursões podem ser alterados se o grupo de estudantes tiver interesse e mais viagens podem ser programadas mediante $.
Como vamos fazer o curso por dois meses, devido à espera pela cidadania, que pode chegar a três meses, o cronograma será repetido no segundo mês, isso seria um pouco chato, por isso reservamos esse período para fazer nossos passeios pela Itália.
Outra coisa legal é que escola funciona junto da Unicam, uma das universidades mais antigas do mundo, com mais de 800 anos. Podemos utilizar o restaurante universitário a módicos 4 euros, quadra de esportes, bibliotecas e toda a infra-estrutura do campus.

Além de querer conhecer o país e continuarmos o estudo do idioma, uma das razões de termos escolhido a Itália _ e especificamente Camerino _ foi a possibilidade de termos a cidadania italiana reconhecida em três meses, enquanto no Brasil a espera na fila pode passar de 10 anos.
A Aline vai fazer pela família dela, uma prima já tinha buscado todos os papéis, foi só acrescentar o que faltava, barbada. Já o meu caso foi bem mais complicado, se arrasta há cinco anos entre busca de documentos, correções e suprimentos na Justiça. Estes documentos que precisaram ser supridos se perderam em um incêndio no cartório de Garibaldi em 1909.
Finalmente, no início de 2009, tudo estava corrigido e reposto, beleza. Neste meio tempo, o bonitão da foto aí em cima voltou ao poder na Itália e as regras mudaram, ficaram mais rígidas. Essas mudanças levaram à descoberta de esquemas de brasileiros que se aproveitavam da destruição dos cartórios (outros dois da Serra também pegaram fogo) para forjar os documentos da cidadania. Sabe aquela história de ser amigo do juiz, do promotor, etc? Pois é.
Então, em dezembro de 2009, já com a passagem comprada, documentos traduzidos e cerca de R$ 8 mil mais pobre (mais ou menos o que a família toda gastou com o processo desde o início), fui ao consulado “legalizar” meus documentos. O Brasil não é signatário da Convenção de Haia, nossos documentos não tem validade lá fora sem isso.
E a legalização foi negada. Não tenho direito à cidadania italiana porque a certidão de casamento do meu trisavô Secondo, o imigrante, e a de nascimento do filho dele, meu bisavô Olympio, foram consumidos pelas chamas do fogo do inferno que queimou o maldito cartório de Garibaldi! A única possibilidade de reverter isso é encontrar um documento assinado pelo Secondo reconhecendo o Olympio como filho dele.
Ter apresentado os documentos religiosos, outros papéis da época, registrados em cartório, onde diz FILHO LEGÍTIMO, e ter encontrado um irmão do meu bisavô ainda vivo, com 96 anos, que poderia confirmar o parentesco de Secondo e Olympio, não conta para as autoridades italianas.
Continuo procurando algo improvável, tipo partilha de bens ou registro de imóvel onde possa ter a assinatura do velho e que cite os filhos, mas já era, já.
Só me resta casar. Rá!
Numa conversa com a professora de italiano na Acirs, descobrimos a Escola Dante Alighieri em Camerino, que, segundo ela, aliava curso de língua e cultura italiana com assessoria para a cidadania.
Após uma pesquisa de custo-benefício com outras assessorias e claro, e muitas, muitas contas, escolhemos Camerino para armar a barraca (?). A cidade medieval de aproximadamente 7 mil habitantes pertence à Região de Marche e fica a 150 quilômetros de Roma.
A temperatura lá nessa época do ano fica entre -5 e 10 graus (bye bye, Forno Alegre \o/), e, sim, vamos conhecer a neve e de quebra bevere molto vino e mangiare molta pasta, em casa ou em um dos quatro restaurantes da cidade (4!). Mas não menosprezem questa piccola città ainda. Camerino possui uma universidade com 9 mil estudantes, mais cabecinhas que o total da população.
Os bares também não enchem uma mão, parece até que só tem um, mas só acreditamos vendo. A previsão é de muuuita calmaria, quebrada apenas pela programação da escola. Assunto para outro post.
Visualizar Camerino MC em um mapa maior